Avaliação psicológica de condutores

A legislação prevê a obrigatoriedade de alguns condutores ou candidatos a condutores, nomeadamente do grupo 2, realizarem uma avaliação psicológica prévia à emissão ou à revalidação da carta de condução. No entanto, este assunto parece continuar a ser menosprezado por muitas pessoas, que parecem atribuir-lhe uma importância menor, esquecendo que não é só a segurança dos outros como a sua própria segurança (quiçá a própria vida) que também está em risco.

Vou fazer 50 anos, carta de condução categoria C e estou com receio de chumbar na avaliação psicológica/testes psicotécnicos da próxima renovação da mesma carta de condução. Aos 45 fiz esses testes psicotécnicos e chumbei nos mesmos!… Informo que sofro de depressão crónica com ansiedade associada e tomo medicação diariamente. O que me aconselham para que eu possa fazer com sucesso os referidos testes? Desde já agradeço vossa melhor atenção.

Questão colocada por um seguidor no espaço “Consultório”.

O objetivo da obrigatoriedade da avaliação psicológica de condutores prévia à obtenção ou à renovação da carta de condução é zelar pela segurança do próprio condutor e pela segurança dos demais utentes da via. Portanto, o objetivo não deveria estar em “viciar” ou “contornar” os resultados, mas sim, em saber se está ou não, efetivamente em condições do conduzir. À partida, a própria medicação que toma regularmente (que omitimos a fim de preservar a privacidade) apresenta alguns efeitos secundários que interferem com a própria condução de veículos, pelo que, juntando a estes dados o facto de que terá reprovado na avaliação realizada há 5 anos, certamente não estará apto à condução de veículos do grupo 2 (para não estender também ao grupo 1, já que, não dispondo de resultados concretos, não me posso pronunciar com certezas acerca da situação).

Quando vamos fazer análises ao sangue para saber como está a nossa saúde, não perguntamos ao médico ou ao analista, o que podemos fazer para que a análise não detete níveis tão elevados de colesterol, glicémia, etc… Isto porque estamos francamente interessados em saber qual a nossa condição de saúde e não simplesmente em obter um perfil alterado. Então porque razão faze-lo num assunto tão sério como a condução? É que, sem querer criar alarmismos, convém lembrar que um veículo automóvel pode ser uma arma – de resto como nos foi mostrado pelos recentes atentados em Londres!

Infelizmente não são poucos os laboratórios de avaliação psicológica de condutores que têm o “dom” de avaliar o condutor às vezes sem o verem… Contam-se histórias de avaliações realizadas em vãos de escada e de certificados de aptidão psicológica emitidos sem o psicólogo ter estado na presença do avaliado… Mas, para além de todas estas situações constituírem uma vergonha, não me parece que seja isso que queira para si nem para os que o rodeiam. Pois não se deve esquecer que ao obter uma “falsa aptidão” estará a colocar em risco a sua vida e a vida dos demais!

 

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