A Dislexia e os Prismas Óticos

imagescnkbyho5A dislexia é uma perturbação que se caracteriza por um atraso na aquisição ou no desenvolvimento da leitura, na ausência de qualquer outra limitação cognitiva ou sensorial. É habitual falar-se da utilização de lentes prismáticas para a correção desta patologia. Mas serão as mesmas eficazes? Qual o papel destes prismas no quadro da dislexia?

Convirá que saber que existem diversos tipos e formas de dislexia, começando logo pelas adquiridas (que ocorrem após traumatismo ou lesão cerebral) vs. desenvolvimentais (mais habituais, na qual a criança apresenta uma dificuldade em desenvolver a leitura) ou pela dicotomia dislexias centrais vs. periféricas. Costumo dizer que as mais relevantes (por serem aquelas que afetam mais crianças e que mais frequentemente motivam a consulta do psicólogo), são as dislexias centrais de desenvolvimento.

A literatura internacional é perfeitamente consensual em assumir que a causa destas dislexias se encontra ao nível da consciência fonológica (isto é, dos sons, que constituem as palavras). Por conseguinte o diagnóstico deve necessariamente passar pela aplicação de provas psicológicas – será dizer, deve ser realizado por um psicólogo – e a intervenção passa, claro está, por trabalhar esta consciência dos sons, que se encontra fragilizada nos disléxicos.

Daqui desde logo se depreende que o uso de lentes prismáticas ou alterações posturais, geralmente sugeridas por médicos, mais especificamente oftalmologistas, em nada contribui para uma intervenção eficaz das dislexias centrais. A ter algum contributo seria, por ventura, e com fortes ressalvas, ao nível das dislexias periféricas.

Então a pergunta que surge, naturalmente, é como é que estes prismas produzem alegadamente algum efeito? Basicamente o que acontece é que a utilização destas lentes prismáticas vão alterar o funcionamento do nosso cérebro e por essa via potenciar redes neuronais alternativas. Mas como se pode depreender, em nada contribuem para uma maior consciência dos sons, o mesmo será dizer, para uma intervenção adequada na verdadeira causa da dislexia: Contribuem tanto para a dislexia como contribuiriam, por exemplo, para um melhor funcionamento durante um estado gripal. Pior do que isso, face às alterações que produzem no sistema visual e neuronal do sujeito, causam uma dependência futura na utilização deste tipo de lentes: Uma vez que comece a utilizá-las o sujeito fica dependente delas.

Posto isto, e como com a saúde não se brinca (e sendo na sua maioria médicos, oftalmologistas, os autores destas teorias deveria ter primeiro do que tudo essa ideia presente), pense muito bem antes de optar pela utilização deste tipo de lentes, de eficácia duvidosa.

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