Violência doméstica na Rússia

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De acordo com notícia transmitida pelos principais meios de comunicação social, os deputados russos aprovaram o projeto de lei que prevê que os agressores não sejam penalizados caso a vítima de violência doméstica não precise de receber tratamento hospitalar, sendo quase certo que esta sexta-feira entre em vigor a despenalização da violência doméstica na Rússia, depois de os deputados da câmara baixa terem votado em grande maioria a favor da proposta de lei nas duas leituras já ocorridas: os agressores sem cadastro que causem apenas ferimentos ligeiros que não exijam hospitalização da vítima poderão então ser sujeitos a multas ou condenados a cumprir serviço comunitário.

Com esta lei russa, bater num filho, mulher ou avô – provocando-lhe hematomas e arranhões – deixa de ser crime punível com prisão, desde que o agressor não repita o ataque, e ao mesmo familiar, no prazo de um ano. De acordo com a notícia publicada, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, ter-se-á mesmo congratulado pela aprovação da proposta, dizendo que é importante distinguir entre as “relações familiares” e os incidentes de violência repetidos. Vladimir Putin terá também referido recentemente ser necessário acabar com a lei vigente que permite “prender um pai só porque deu umas palmadas num filho porque o mereceu”.

Assistimos, cada vez mais, a uma tendência em considerar que a agressão pode ter um papel importante – há quem diga que até educativo – no seio das famílias. Confundir a necessidade de impor limites com a necessidade de “dar umas boas palmadas” (que é para aprenderem – costumam os agressores acrescentar). Se a moda pega, qualquer dia, em vez de Assembleias passamos a ter ringues do boxe e quem ganha as eleições não é a pessoa escolhida pelo povo mas sim, no bom princípio Darwiniano, o mais apto e o mais forte, ou seja, aquele que conseguiu dar uns bons murros no opositor. Talvez tenha sido já a pensar nesta inovação que Vladimir Putin tenha treino em combate – não lhe chamo artes marciais, porque estas procuram uma vertente diferente.

A coisa até seria engraçada, não fosse a gravidade desta situação. Quando tentamos educar alguém com base no medo e da violência, não podemos contar com bons resultados. Violência gera violência e a agressão, pela mais ténue forma que possa assumir, nunca foi nem pode ser sinónimo de afeto nem de educação. Talvez valha a pena pensar nisto… antes que seja tarde demais.

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