Vídeo de jovem a ser espancado indigna redes sociais

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Um vídeo onde é possível ver um jovem a ser agredido por outro está a chocar as redes sociais. Nas imagens, divulgadas no Facebook, vê-se um rapaz a agredir outro com violência, até que este cai no chão, e dois outros rapazes envolvem-se na luta com socos e pontapés na cabeça. Como é possível tamanha violência e agressividade? Como é possível alguém pactuar com estas situações?

Qualquer ser humano é um animal e, por conseguinte, independentemente do género ou idade, está sujeito a emoções e sentimentos – uns mais primitivos do que outros – com uma dimensão de agressividade variável. Entre outros aspetos, é suposto que a racionalidade nos distinga dos outros animais – aqueles, ditos irracionais, os que protegem as crias com a sua vida e muitas vezes dão provas de amor incondicional e verdadeiro.

É esta (suposta) racionalidade que deve permitir pensar e elaborar: garantir que os pensamentos, por mais arcaicos ou agressivos que sejam, não chegam a ser atos. Mas por vezes, por bloqueio da função simbólica, em vez de pensar agimos, quer no próprio corpo quer naquilo (ou naqueles) que nos rodeiam.

Apesar da racionalidade, todo o ser humano necessita de balizas e procura constantemente os seus limites. E é na adolescência que este aspeto ganha mais relevo. Quando encontra uma barreira, o adolescente tenta ultrapassa-la. Mas ao tomar consciência que esse limite é intransponível acalma e descansa.

Encontramos, no entanto, infelizmente, algumas situações em que estes limites aparentemente não existem. Há uma sensação de impunidade – de poder fazer tudo, sem consequências – naquilo que, na realidade, mais não é do que uma constante procura dos limites – nem que esses limites sejam as grades de uma prisão.

Por detrás destas situações em que as balizas são “invisíveis” encontramos, muitas vezes, aqueles pais ou cuidadores que dão tudo aos seus filhos – esquecendo-se que muitos rebuçados estragam os dentes -, ou aqueles que não dão nada para além da indiferença e ausência.

E então muitas vezes, por detrás desta agressividade e violência, encontramos verdadeiros “tigres de papel”, adolescentes frágeis que, de tanto sofrerem, acabaram por fechar a sua “troneira dos afetos” e tentam calar a sua dor, infligindo sofrimento para assim (se) poderem sentir.

É tão fácil apontar o dedo. Apelidar estes jovens de “delinquentes”, de “criminosos” entre outros rótulos que em nada contribuem para a explicação nem para a resolução do problema. Urge, pois, intervir. Criar medidas efetivas e que contribuam para uma resolução cabal e completa do problema.

Mas ter falta de limites ou dificuldade em simbolizar não é sinónimo de debilidade mental. E ao filmar ou publicar tamanha violência nas redes sociais o agressor procura o mais elevado troféu por via da demonstração de poder e impunidade. Sentir o perigo, o risco de ser apanhado, mas mesmo assim não hesitar. Mediatizar e divulgar as imagens pode dissuadir práticas futuras, mas também assegurar o desejo último do agressor contribuindo para a sua derradeira coroação.

Cada caso é um caso e não se pretende, de forma nenhuma, generalizar nem referir a casos concretos, cuja natureza específica necessitaria de um conhecimento mais profundo. Mas talvez valha a pena pensar nisto…

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